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(Pág. 5) VOZES DA ALMA

"Vozes da Alma"
 
 
 
 
 
Vozes da alma
 
Hoje estamos aqui para uma página, não inédita, mas inusitada no que tange às deformidades
ou, por que não dizer, dualidades do ser e nas serenas sequelas da alma. Vozes. As vozes são
tão fortes que, mergulham o ser em total escuridão. Por vezes, também encontramos vozes
ativas, fortes e benevolentes ao próprio ser. Bem, o bom de tudo é que, esses ditos, fantasmas
podem ser exorcizados de formas variadas e , não necessariamente complexas.
 
 Há bem pouco tempo calei a “voz” de encarar esse momento de escrever das “vozes” do ser...
que, emaranham de tal forma que, pode expor qualquer um, em seu próprio labirinto
humano. O lado bom disso é que também houve tempo para ouvir às vozes que, emanam o
nosso bom espírito.
 
 É comum extrairmos de nós exatamente aquilo que nos almejamos outros... Isto é, você já
imagina que, aquilo pelo qual você e eu (é claro que não posso me eximir de tal), digo isso de
forma que, as cobranças, posicionamentos que exigimos do próximo é na maioria dos casos
aquilo que, precisaríamos consolidar em nós mesmos. De fato, estou aqui pra dizer isso – Não
tenho nada que irei dizer aqui que, de alguma forma não tenha e ou, possa antes cobrar de
mim mesmo e não, de ti, do próximo e das pessoas que amo!”
 
 A vida tem sua liturgia própria e não requer de alma alguma a reverência, senão a mesma que
tens por ti mesmo. Parece engraçado, mas foi exatamente o que Jesus disse – “O que quereis
que os homens vos façam, façais vós a eles” (Mateus); agora se me permitem, preciso ouvir as
vozes que gritam aqui comigo e vociferar para dentro e fora e respirar o meu eu-poético...
 
 
 
 
Eu quero o amor com a cara lavada de sinceridade e afeto. E que este diga que, me queira
saborear-me até me consumir a existência.
 
 
Eu quero a boca molhada da cachoeira de sua boca, corpo e desejo.
 
Ah, eu quero os vossos filhos ao redor da mesa, com pão, leite, mel e vinho da graça de estar junto.
 
Ah, eu quero o perdão das pessoas que, me abandonaram quando eu ainda era um sonho de felicidade.
 
Ah eu quero o leão ao lado do cordeiro de minha e vossa essência e comunhão da comunidade do amor, misericórdia e fé.
 
Ah, eu quero Cristo todos os dias ao meu lado, dentro e na frente, me dirigindo como o meu bom Pastor.
 
Ah, como eu quero a maresia do mar, cheirando o meu por do sol e adornando o meu acordar ao lado da mulher que, de fato, ama-me, e deixa-se amar-se por mim...
 
Ah. Quantas vozes cabem em mim que, jamais pude discernir e que, maravilhosa é tal coisa,
não poder discernir a volição de minha existência, senão através da mulher, chamada, carne-
minha e osso-meu, minha forma de existir em outro sexo sem aberrar à criação.
 
Ah, essa voz que não cala, suporta, clama e suplica um abraço teu, um beijo nosso e quem sabe, toda uma eternidade juntos...
 
 
 
Ah, por que eu quero tanto o amor, essa graça sem nome, mas com corpo, cheiro e tez.
 
Ah, eu hoje quero a lágrima mais límpida e doce, com as fotografias de minha mente, de quando estar ao seu lado, era o pisar em nuvens e o paraíso estava em acordarmos juntos.
 
Ah, essa voz que, suplica amor, devora excitação e reverencia caridade... Por que, ó criador, estou náufrago de mim? Por que, a vida escorre pelas mãos como areia da praia?
 
Eu escuto uma voz terrível que me diz, pra calar os sentidos, esconder a paixão, se ofender da verdade e de, envergonhar-se do amor em plena exatidão.
 
Eu escuto a mentira de dizer-me suficiente e andar pelas vias das avenidas, pelos carros em suas ferocidades e na catapulta de sucesso social...
                                                                                                                                                    
Quanta mentira eu visto aos dias e noites pra enfim, esconder a minha maior
Necessidade – AMOR! E Deus! Por que, Deus somente este pode ser realmente amor e não, luxúria...
 
Escuto vozes a me dizer para parar e refletir a conta bancária que o outro me deve, a ostentação que meu currículo expande e na mentira que meus dotes jamais discursaram.
 
Que voz é essa, chamada vida que, no âmago deixa o desejo,
E antes do nascer, parece com a orquestra do medo?
 
 
Ah, eu quero sonhar com toda a verdade que de mim fugiu, quando fui covarde o suficiente pra jamais me declarar.
 
 
 
Ah... Delírio de felicidade, onde estás?
Eu sou o grito de Abel, sou o sonho de José e a esperança marítima de Noé.
 
A quem estamos pedindo que não possa oferecer? Que vida há naquele que somente recebe? E quem seria esse que, nem de seu egoísmo expõe pra que o outro sorria?
Caberia em tal ser a felicidade? O Amor? A caridade e o Espírito de salvação?
 
Ah, eu tenho tantas vozes... Ontem pedi pra que, Deus fosse só meu, hoje eu peço por todos e amanhã, se este for finito, suplico que, te escondas do resto da humanidade...
 
Por que, essa voz que me declina a escrever em tom menor, à meia-luz e inteira solidão afirma saber-me de mim, da vida e do outro?
 
Quantas vezes irei consumir esse coral de vozes que, me exasperam o ser, de forma dicotômica expira minha esperança e divide meu espólio com o inseguro, o medo e o egoísmo.
 
Tudo em nome de quem jamais ousei dizer-me de mim, mas que, de forma peculiar me tabernaculara e habitava as entranhas do Ser!
 
Ontem ouvi uma voz que me acordou na madrugada, me fez ajoelhar a humildade e escadeou a soberba de minha querela e me disse – “Vinga-te!”
 
Eu de mim, quase compelido, senão a voz tênue, forte e persuasiva da verdade que, me confronta e afirma – “Diga-me quem és...” de outra forma, ainda ousada me afirmara –
 
“De que espírito sois!”
 
 
 
 
Eu ando tão cansado de tantas vozes que fui a margem dos manicômios e procurei um
Esquizofrênico pra me auxiliar e socorrer-me...
 Ele me ouviu-me, disse coisas lindas, me deu um beijo na testa e depois, levantou dizendo –
 
“Isso é normal a todos, considerai que, seja assim a tua forma de ser, viver e pensar, por que o criador nada exige de ti!”
...Eu quase sorri,
Quando este de forma em vestimenta magistral, de terno e de boa gravata e lenço, parou!
Exigiu e me disse seu nome.... Então, acordei e saí de lá.
 
Seu nome era sacerdote e se chamava mestre, sem enredo da verdade, e compêndio de misericórdia...
 
 
Ah, eu ainda ouço vozes, venhais me consolar a dor, de que dor tacanha atrapalha a exatidão dos frutos, dos processos, dos focos e missões da vida.
 
Eu fui o egoísmo quando me achei em consolar o outro e querer ser a referência, até quando a referência confrontou-me com todas as vozes que já ouvi então me calei o ser, detive a alma e exclamei a liberdade de escolha que, sempre me fora um beco de mão-única.
 
Ah quantas vozes me consumirão até encontrar a tal vereda da paz, senão da Palavra, mas da carne e da carne que, seja a minha carne e osso meu...
 
Eu ando comendo vozes, delirando desatinos de minha solidão, por que, ainda imagino o peso e o âmago do meu e do outro o perdão.
 
 
 
A última voz dessa noite esta na face de quem me lê e jamais me deixa um beijo em gratidão,
E nem sonha que essa voz ao meu lado, diz – “E por que não?”
 
Eu ando carente de vozes que me deem a mão. Vens!
 
 
Czar D’alma – Vozes da Alma.
 
(Vozes da Alma, cap um)
 
Beijos meus e carpe diem!
Shalom Adonai!




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 ”O sussurrar das vozes”  
 
 
 
 
 

”O sussurrar das vozes”                       

 

Estou ao redor de mim, quando comtemplo as coisas que, me fazem ruminar certas vozes. Essas, de

forma tênue já não gritam ou clama, mas tem a voz daquele que sussurra e por vezes, não se

permite persuadir e ou, ser menos ouvido do que, os gritos da voz que clama.

                     
 Tenho bem perto de mim, o vento do ventilador, a sombra das cortinas, a luz da janela e todas essas

outras por si, mesmo falam. Bem, a pergunta que fica é meramente o que essas vozes e ou,

sussurros te e nos dizem...  Pra entender isso, irei me ater aos momentos vividos na testemunha

desses objetos, quase inimagináveis, pois, animam e transmitem um legado que, eu achara ter

deixado em algum lugar do passado, mas, no entanto, não fora isso o que me e nos acontece. A vida

acontece não só na presença das pessoas, dos animais, mas, tanto quanto ilhada por objetos que,

alcançam momentos nossos que, jamais conseguimos dispor até mesmo, às pessoas que nos são

próximas... A verdade é que a poeira no canto sussurra que, ontem ela não estava ali e ou, ao menos

foi notada, e quando ela possivelmente poderia ali estar alguém, alguma força que habita em ti,

lutou pra manter o lugar como tu quiseras antes, e ao mesmo tempo em que, a luz que entra pela

janela, confessa que, agradece ao entrar pela sua casa adentro por que, há em ti a necessidade de

continuar a “deixar a luz entrar!” Tudo isso, parece não ter sua voz, mas, equivoca-se quem assim

pensa, pois, todas essas coisas falam mesmo as taças, as xícaras, os pratos na mesa e a mesa ainda

posta... Quando o sentar à mesa havia companhia, quando era necessário abrir a janela pra acordar

o outro, o parceiro, a parceira, a tua companhia. Enfim, por que, essas coisas falam conosco? Pelo

simples fato delas serem testemunhas de momentos nossos, logo então, cabe o invólucro de

realidade e consideração pelas coisas que, nos representam uma história, um postulado de

romances, de abraços, silêncio, de conversas francas, de quase silêncio, demarcado por toda a

 mobília que, retrata a realidade vivida externamente e que, fica fixada na alma da gente por um

tempo sem-fim. Quisera eu poder lhe dizer que, não fora assim e que, jamais vos lembrareis dos dias

de sol, das manhãs e das noites de chuva e toda a vida ao redor, sussurrando a voz de que, “Aqui

houve uma história.”

 Mas eu não calo a voz das coisas habitantes ao meu redor, antes deixo sussurrar o que, pra elas foi

tais momentos, tal declaração ouvida e ao mesmo tempo, eu busco o transformar das vozes em

declarações de saudades, de declarações de amor, e que a vida foi realmente vivida por tudo e todo

que, estava ao redor. Tenho um poema chamado, “A casa vazia” que, retrata essa realidade, e quero

deixar aqui para que sejamos claros do que, estamos declarando. Segue o mesmo:


 

“Casa Vazia”

Você se foi eu sei

Deixou flores e uma carta na mesa...

Abri a janela e pedi forças

Pra viver só, na minha fortaleza!

 

Casa vazia, móveis calados

Na mesa só um prato                         

Mudo entro, em silêncio me faço

Pela casa que você deixou, sou!

 

Saiu como o amanhecer...

E no crepúsculo de minha alma

As lágrimas insistem em nascer.

A casa vazia comigo está.

 

Faço companhia ao silêncio

Tua ausência é aqui, Maior presença!

Desfaço a cama nua e muda

Olho pro alto com meu brio...

 

Os dias são sentenças...

Na casa vazia, presente é tua ausência!

 

Czar D’alma.

 

  Gosto de perceber aqui as coisas que ficam como a maior presença de toda uma vida. Há em cada

coisa um falar, uma voz que, emana pra cada alma, uma sentença e um abrigo pras coisas que se

foram para as que possivelmente virão e aquelas que, também, jamais voltarão. Eu sei de alguns

objetos fortes que, me fazem calar os sentidos e até mesmo a razão, pede licença para poder ser

ouvida.  Na verdade, a gente vive ao lado dos objetos como se eles fossem mudos, mas, no

inconsciente de cada um, estes têm seus momentos e seus discursos. Lembre-se de cada copo, prato,

lençol, sombra, cadeira, ventilador e como essas coisas pertencem ao nosso cotidiano tão forte que,

ao passo que, as pessoas vão, essas coisas insistem em declarar que, vivestes em mim, eu fui o lente

que, rebuscava suas sentenças e suas mentiras, suas verdades, seus compêndios de existência que,

já não existe apenas em ti, mas, tanto quanto em mim ao simples olhar que deres ao redor e verdes

todos esses objetos, como um jurado ao lado do réu que, mais que jurado, fora testemunha e

cumplice de sua brincadeira de viver.


 Hoje aqui, quero que você pense em cada coisa ao seu redor e como estas coisas representam pra ti.

Mas saiba de uma coisa, até aquilo que, hoje, agora, nada representa; isso não é um fato em si, pois

essa coisa representa a necessidade que, n’algum momento tu tiveste em pô-la ali pra esquecer, pra

alimentar um espaço e um vazio que, longe das essências das coisas, esta na essência de ti mesmo,

de seus medos, fantasmas e das fantasias e lembranças mais emaranhadas de tua alma. Sim,

mesmo que, não queiras dizer-te, entendas que, as coisas são parte de nossa existência, pois, senão

precisássemos destas, elas não teriam sua escola, pedagogia e voz na história de nossas vidas. Por

isso, os antigos namorados jogam fora fotos, cartas, flores vão para o lixo e um emaranhado de

coisas que, habitam dentro da gente. Estamos chegando ao ponto clímax dessa crônica, se é que

posso chamar assim... Bem, eu joguei coisas fora de minha vida, mas sei que, elas ainda habitarão

dentro de mim, por toda a minha eternidade, por que, já não são coisas que eu possui, antes essas

coisas precisam ser lançadas fora, mas sei de uma coisa... Estas já não são coisas possuídas, antes

possuem nela a minha história e onde a minha história estiver, em qualquer memória... Ali estará as

canções, as risadas, os momentos, as aflorações e discussões, mesmo quando cantarolar, Quão

amáveis são os teus tabernáculos...” Ali estará uma vida, ou quem sabe muitas que, jamais se

apagarão pela força que as coisas tem. O próprio apóstolo Paulo chega a declarar, “Deixando as

coisas pra trás... E correndo para o alvo!”  Bem, se as coisas devem ficar pra trás é que, estas têm

suas vozes, sussurros e tentações. Quanto a mim, me basta a consumir a cada coisa pra que, de bem

degustada, possamos crescer e dizer que, assim como Cristo nos ensina aprender que, Guarde bem

sua coroa, para que, não seja tomada de ti!” É óbvio que, não se trata de um objeto em cima de

vossas cabeças, mas da representação do valor de cada coisa vivida, por vida e completas por amor,

por essência de declarar ao outro, vale a pena, valeu a pena ter lhe conhecido e não deixemo-nos

amargar por causa de coisas que passam, pois as pessoas jamais passam de alguma forma... E essa

coroa é consideração do valor do que vivemos, ou será que, vivemos de forma leviana e sem

considerar o outro como precioso em tempo algum em nossas vidas? Se assim alguns fazem, qual

seria o valor da própria vida destes em nada considerar as coisas e momentos tão íntimos e

essências dentro de uma relação? Fica aqui uma declaração...


“As coisas falam, mas eu amava mesmo era ouvir-te”.  


(Czar D’alma)
 
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